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domingo, 28 de maio de 2017

o que o rapaz contou

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Confio-te o meu livro de viagens por dois ou três dias, talvez uma semana ou quem sabe, um mês. O tempo é relativo. Demasiado curto quando nos sentimos bem, longo na inquietação, infindável na tristeza.
O rapaz falava devagar e as suas palavras pareciam vir de uma outra pessoa que não ele. Estranhei-o assim tão sério, mas não disse nada.
Como devem estar recordados, o livro a que ele se referia é secreto e invisível e apenas sabemos que está presente pela inclinação súbita dos raios solares, pelo ladrar de um cão, pelo cheiro forte a pão acabado de fazer.
Está bem, disse-lhe. Guardo-o, escondo-o para que ninguém o veja. E estendi as duas mãos para o receber. O rapaz perdeu o ar composto e gritou, que desajeitada, deixaste-o cair. E bateu os pés, morto de riso. Depois baixou-se, apanhou-o e disse, lê o que eu escrevi sobre a minha terceira viagem.
Sentámo-nos ali mesmo nos degraus da escada, a trovoada ao longe e o ar quente carregado de humidade. O rapaz insistiu, desde quando é que precisas de ver para ler. Não preciso, respondi. E lemos os dois.
Caiu a primeira gota de chuva, pesada, gorda e seguiram-se as demais, espaçadas, quase mornas. Foi quando nasceu a filha de um rei e era bom o rei e rejubilaram todos os habitantes daquele reino de árvores de grande porte e muita chuva, porque quando nasce uma criança abre-se uma porta e deita-se fora a chave e o futuro cumpre o seu destino.
Mais à noitinha, já as chaminés fumegavam e os velhos dormiam, é que perceberam que a criança tinha sete dedos em cada mão, para que gostassem dela as folhas das árvores de grande porte naquele reino de muita chuva.
Um dia, atraídos pelas árvores e pelas folhas esguias, chegaram a bicicleta azul e o rapaz molhado até aos ossos e receberam-no o rei e a filha pequenina. Ficou por muitos dias e ensinou a filha do rei a andar de bicicleta e ela com os sete dedos em cada mão, nunca caía. 
Quando regressou, trouxe consigo algumas folhas e muitas gotas de chuva.  
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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Esclarecimento edibloguetorial - Entende a equipa do The Braganza Mothers dever reafirmar ser contra a corrupção generalizada da classe política brasileira, como é contra a corrupção generalizada da classe política de qualquer país, sendo que os de língua portuguesa lhe merecem especial carinho e atenção, e muito nos custa ver o Brasil, Portugal e Angola, por exemplo, andarem a penar da forma em que andam. Todavia, embora sejamos sempre contra a corrupção generalizada da classe política brasileira, há uma coisa contra a qual ainda estamos mais contra, que é o fascista Jair Bolsonaro. Obrigado pela atenção

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segunda-feira, 22 de maio de 2017

VENHA DAÍ UM FADINHO QUE MATE A SAUDADE DE VELHAS TRISTEZAS!

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas
http://www.portugalize.me/2014/05/15/fado-fatima-futebol-e-folitica/
Para onde emigraram as “digracias” que antes pairavam sobre este nosso então desesperado País e que nos faziam passar a vida a “cramar”? O que não faltam, nestes últimos tempos, são acontecimentos em catadupa de efeitos tão generosos, que, saudosistas que somos, já nos apetece perguntar se não haverá por aí uma noticiazinha má que seja para podermos carpir, que, nosso espírito luso, é sinónimo de curtir, tal o prazer que temos em nos queixar da má sorte? Quer dizer, para mim e milhões de portugueses, houve uma má notícia que terminou em cataclismo numa rotunda tingida de encarnado berrante, que corria ali desde os lados da Luz das águias.

Mas vamos às boas notícias, eis que o Salvador Sobral fez com que Portugal ganhasse, pela primeira vez, o Festival da Eurovisão, repetindo o feito de ser campeão europeu da seleção portuguesa de futebol, eis que o arquiteto Paulo David recebe um prémio internacional, eis que o Porto B, com aquela inigualável marca, a marca FCP, vence a Premier League International Cup, uma competição europeia para os sub23, e, finalmente, eis que Portugal cresce em valores acima dos quais não acontecia desde há quase duas décadas.

Confesso que começo a ficar preocupado com a saúde dos portugueses, como será com tanta boa notícia? Onde estará aquela lamúria, que nos deu a canção nacional, o fado, ou, como diz o poema justamente cantado em fado, “feliz do povo, pois é feliz, com certeza, quem fez até da tristeza a sua própria canção”. Acabou o “quase” de Mário de Sá-Carneiro - Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... - estávamos sempre no estado do “quase! Era só um “coisinho” que faltava para chegarmos lá, mas vamos melhorar. Agora não, agora é tudo à grande, crescemos e ganhamos a nível internacional. Perdemos, é certo, mas saímos de cabeça erguida? Isso era antes! Agora, saímos é com o caneco! O do europeu, ou o do festival!

Será que ainda existem Velhos dos Restelo? Será que vão a resistir a tanta vitória? Já sei o que dirá qualquer Velho do Restelo, de qualquer esquina desta terra, pelo menos da nossa, pois recordo-me bem das palavras da minha avó, quando eu estava muito divertido: “Quando os porcos bailam adivinham chuva…” Será que vem aí chuva? Ai que saudades de uma lágrima ao canto do olho e um copinho acompanhado à guitarra a ouvir um fadinho têm os portugueses!

Artigo publicado no Siga Freitas no JM-Madeira
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Diário de Fátima, Futebol, Baleia Azul, Michel Temer e Jair Bolsonaro - Presidente Temer revela os seus planos para os próximos dias: quero celebrar um ano de "impeachement" de Dilma Rousseff oferendo aos brasileiros a possibilidade de desencadearem o meu próprio "impeachment". Não renunciarei, repito, não renunciarei :-)

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Diário de Fátima, Futebol, Baleia Azul e Salvador Sobral - Leão do mar tenta livrar-se de japonesinha imbecil da EasyJet e falha

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domingo, 21 de maio de 2017

azul

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Conheci-o entre as páginas cento e doze e cento e treze de um livro de viagens. Gosto de viajar, disse ele. E pousando a bicicleta sentou-se entre o terceiro e o quarto parágrafo. Tinha apenas um centímetro de altura e o sorriso mais aberto que eu alguma vez vira. Lembro-me de gaguejar qualquer coisa como, estás aqui, quem és tu, não estava à espera. Ele olhou-me pelo canto do olho e continuou a falar do quanto gostava de se levantar cedo, pegar na bicicleta e ir por aí a pedalar até ao mar, atravessar os pinhais, os campos, parar à sombra das árvores, descobrir as cidades. De vez em quando metia-se num livro e consultava os mapas, via as fotografias e sonhava sempre ir mais além. Fora num desses momentos que me encontrara e dizendo isto, levantou-se de um salto, sacudiu as letras dos calções, pegou na bicicleta e desapareceu pela janela aberta, um rapaz pequenino numa bicicleta azul.
Nesse instante desejei ter inspiração para escrever um conto grande sobre um rapaz pequenino, uma viagem e uma bicicleta azul. Caracterizá-lo, uma voz de pássaro, a ligeireza de um esquilo, o cabelo liso e comprido a voar quando acelerava, os calções sujos de óleo, a camisola às riscas, os ténis pretos e a magia de estar hoje aqui e amanhã ali, sem dar contas a ninguém. Sei qual é a sua casa, onde ele regressa com saudades do pai, do cão e das vinhas em setembro e os cachos maduros a cheirar a mosto. No entanto este é um conto pequenino sobre um rapaz grande.
Da segunda vez que o vi tinha crescido seis centímetros e pedalava na asa de um avião em direção a leste, disse-lhe adeus, ele riu-se e a rota do avião desviou-se um pouco. Inexplicavelmente a bicicleta cresce com ele, não o larga, é-lhe fiel. E o rapaz guarda no seu livro secreto e invisível todas as impressões das suas viagens, a luz, o movimento, o som, o cheiro.
Há noites em que eu me fixo neste visor branco e vazio e estou certa que não tenho mais a acrescentar, que já imaginei tudo o que era passível de ser imaginado. Peixe, ave, leão, tigre, pescador, bailarina, menina escanzelada, menino triste, princesa, pelicano, cavalo-marinho, homem louco, bruxa, gafanhoto, rã, lago, árvore, flor, rio, montanha, aldeia, cidade, rei, deus e o diabo. 
E é aí que ele regressa, o rapaz da bicicleta azul. Senta-se na estante ao lado do candeeiro, as pernas penduradas, os pés a balançar, o cabelo liso a refletir sombras de anjos. Tira do bolso dois mapas, um dos planetas e o outro dos oceanos e numa voz tranquila e noturna pergunta, queres saber o que eu tenho para te contar?
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sábado, 20 de maio de 2017

Diário dos Football Leaks - Depois de Fábio Coentrão, vem aí outra coentrada: Cristiano Ronaldo, nu, pelado, à poil, nudo, desnudo, ننگے, 벌거벗은, 裸, عار, обнаженный, гол, го, khỏa, thân, γυμνός, çıplak, մերկ, çılpaq, оголений, biluzik, নগ্ন, hubad, noeth, עירום, შიშველი, નગ્ન, नग्न, naakt, meztelen, נאַקעט, nakinn, nudo, аголены, ನಗ್ನ, gol, го, nahý, toutouni, nag, నిర్మాణమైన, nøgen, gola, nuda, alasti, uchi, nudus, kails, nuogas, гол, telanjang, mikxufa, naken, เปลือยกาย, nagi, நிர்வாணமான & stark naked, um dos reis vão nus mais persistente do séc. XXI, prepara-se para ser acusado por fraude fiscal pelo Fisco Español

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Diário de José Sócrates, o vigarista de vilar de maçada: Afinal a Fundação Allyouneed Iscancio (aka Belino Foundation) escondia os robalos na Suíça, e os robalos voltavam para a mesa do Chefe, no caso do Santos Silva falecer de morte súbita, e foi milagre da Jacinta ainda estar vivo, mas é melhor apressarem-se, não vá o milagre ser upgradado :-)

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sexta-feira, 19 de maio de 2017

TCHAU, QUÊRIIIDO:-)

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quinta-feira, 18 de maio de 2017

Diário de Fátima, Futebol, Baleia Azul e Salvador Sobral - Vídeo integral da "estudante" de Braga violada na Queima das Fitas. É verdade que eles se portaram como uns animais, mas ela acabou por só gritar muito baixinho. Quem esteve lá diz que não ouviu nada...

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Diário de Fátima, Futebol, Baleia Azul e Salvador Sobral - Vídeo integral da IMASOLDIER, sem cortes nem caras tapadas, de violação e sexo no autocarro do Porto. 15 minutos de pura vergonha :-\

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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Diário de Fátima, Futebol, Baleia Azul e Salvador Sobral - Santa Casa da Misericórdia quer mesmo estar presente no dia da falência do Montepio

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terça-feira, 16 de maio de 2017

Diário de Fátima, Futebol, Maddie, Baleia Azul e Salvador Sobral - Grandes êxitos do Braganza Mothers - "Os McCann, vistos à lupa do Satanismo e dos rituais de profanação do Livro dos Livros"

Eu sei que deveria vir para aqui falar do colapso do Dominó Casas-Especulação-Bancos-Empréstimos-Insolvência do Sistema Usurário Americano, mas o Pargo das Finanças já nos veio serenar, dizendo que devemos estar muito descansados, não só porque o sistema não só existe em Portugal como até vamos CRESCER BUÉS!...
Portanto, vamos já direitinhos à Maddie, porque isso é que nos dá tesão, e é disso que o nosso futuro depende.
Como intróito, a Imprensa Inglesa, depois de abandonar os uivos e as cores berrantes do tablóide, mergulha agora na perspectiva das meta-leituras, como, há meses, temos feito aqui.

O resultado é... horrível.


*

Livro de Samuel II:
  • "[...] II Samuel 12:5 Então a ira de Davi se acendeu em grande maneira contra aquele homem; e disse a Natã: Vive o Senhor, que digno de morte é o homem que fez isso.
    II Samuel 12:6 Pela cordeira restituirá o quádruplo, porque fez tal coisa, e não teve compaixão.

    II Samuel 12:7 Então disse Natã a Davi: Esse homem és tu! Assim diz o Senhor Deus de Israel: Eu te ungi rei sobre Israel, livrei-te da mão de Saul,

    II Samuel 12:8 e te dei a casa de teu senhor, e as mulheres de teu senhor em teu seio; também te dei a casa de Israel e de Judá. E se isso fosse pouco, te acrescentaria outro tanto.

    II Samuel 12:9 Por que desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o mal diante de seus olhos? A Urias, o heteu, mataste à espada, e a sua mulher tomaste para ser tua mulher; sim, a ele mataste com a espada dos amonitas.

    II Samuel 12:10 Agora, pois, a espada jamais se apartará da tua casa, porquanto me desprezaste, e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser tua mulher.

    II Samuel 12:11 Assim diz o Senhor: Eis que suscitarei da tua própria casa o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres perante os teus olhos, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com tuas mulheres à luz deste sol.

    II Samuel 12:12 Pois tu o fizeste em oculto; mas eu farei este negócio perante todo o Israel e à luz do sol.

    II Samuel 12:13 Então disse Davi a Natã: Pequei contra o Senhor. Tornou Natã a Davi: Também o Senhor perdoou o teu pecado; não morreras.

    II Samuel 12:14 Todavia, porquanto com este feito deste lugar a que os inimigos do Senhor blasfemem, o filho que te nasceu certamente morrerá.

    II Samuel 12:15 Então Natã foi para sua casa. Depois o Senhor feriu a criança que a mulher de Urias dera a Davi, de sorte que adoeceu gravemente.

    II Samuel 12:16 Davi, pois, buscou a Deus pela criança, e observou rigoroso jejum e, recolhendo-se, passava a noite toda prostrado sobre a terra.

    II Samuel 12:17 Então os anciãos da sua casa se puseram ao lado dele para o fazerem levantar-se da terra; porém ele não quis, nem comeu com eles.

    II Samuel 12:18 Ao sétimo dia a criança morreu; e temiam os servos de Davi dizer-lhe que a criança tinha morrido; pois diziam: Eis que, sendo a criança ainda viva, lhe falávamos, porém ele não dava ouvidos à nossa voz; como, pois, lhe diremos que a criança morreu? Poderá cometer um desatino.

    II Samuel 12:19 Davi, porém, percebeu que seus servos cochichavam entre si, e entendeu que a criança havia morrido; pelo que perguntou a seus servos: Morreu a criança? E eles responderam: Morreu.

    II Samuel 12:20 Então Davi se levantou da terra, lavou-se, ungiu-se, e mudou de vestes; e, entrando na casa do Senhor, adorou. Depois veio a sua casa, e pediu o que comer; e lho deram, e ele comeu.

    II Samuel 12:21 Então os seus servos lhe disseram: Que é isso que fizeste? pela criança viva jejuaste e choraste; porém depois que a criança morreu te levantaste e comeste.

    II Samuel 12:22 Respondeu ele: Quando a criança ainda vivia, jejuei e chorei, pois dizia: Quem sabe se o Senhor não se compadecerá de mim, de modo que viva a criança?

    II Samuel 12:23 Todavia, agora que é morta, por que ainda jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei para ela, porém ela não voltará para mim."
Era nesta página que a Bíblia da devotíssima Kate estava aberta, marcada e cheia de dedadas.

Já leu tudo?...


Chegados a Portugal no dia 30 de Abril, a noite fatídica foi a 3 de Maio, quatro dias depois.

Para fazer o simbólico número SETE, pergunte-se aos McCann o que andaram a fazer entre 27 e 29 de Abril, na sua terrinha pacata...

Conseguiu ficar mal-disposta/o?...


Pois então, veja o resto AQUI ...
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segunda-feira, 15 de maio de 2017
domingo, 14 de maio de 2017

conto antigo da filha do rei

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Sobre a calçada pisavam os pés descalços da filha de um rei. Não vos corteis princesa nas agulhas dos pinheiros, não vos piqueis senhora nas formigas dos carreiros.
Se me cortar que importa, se me picar que faz, eu sou a filha de um rei. Falaram-lhe de uma outra, delicada como um junco, que acordada ficava toda a noite a juntar ervilhas debaixo do colchão. De manhã escalfava ovos e molhava pedacinhos de pão torrado na gema quase líquida e todos confirmavam, esta sim é uma princesa real.
E ria-se a filha do rei.
Ofereceram-lhe sapatos forrados a ouro e prata, bordados a linhas de seda, de salto, sem salto, com laços, sem laços e até de papel. Ela dobrava o riso e prendia nas orelhas uma flor azul.
De cada canto do reino enviaram-lhe brincos de pérolas e de diamantes e escreviam, princesa, aceite este destino que deus não lhe deu.
Por decreto ordenaram que as princesas de todos os reinos tinham este dever de se calçarem, de sorrirem em silêncio, de se abrilhantarem e de juntarem ervilhas verdes debaixo do colchão. Ela não.
E riu-se a filha do rei.


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sábado, 13 de maio de 2017

Fátima 2017 - Centenário do Obscurantismo. Parabéns, Francisco e Jacinta, se Salazar fosse vivo, iam já todos dentro :-)

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Fátima, Futebol e Festivais



Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas



Sou daqueles cujas crenças ficaram pelos mistérios de Abidos e Elêusis. Considero que tudo o que veio a seguir foi relativamente menor, embora me comovam algumas palavras do profeta Cristo, as práticas do Buda tardio, quando o Rumi se espanta com permanecermos na jaula, quando a porta há muito foi aberta, ou com o Pascal a olhar para as estrelas de uma certa forma. Creio que o lugar das coisas religiosas é uma parte notável da natureza humana, tal como a crendice é o quintal das traseiras da natureza da hominização.

Depois disto, creio que não se espantarão que venha falar de Fátima e dos outros dois "éfes", e pois é que venho mesmo. O cristianismo, na sua fase tardia, fundamentalista e desacelerada, aproxima-se muito das posições canónicas de Hegel, e quer tratar rápida e definitivamente, das arrumações que faltam para o fim da História. Creio que já escrevi algures que o princípio destes problemas até tinha um rosto e um tempo, embora as exéquias já o tenham apartado de nós. Mais coisa, menos coisa, Woytila, um mineiro obstinado, encarregou-se de minar o cânone religioso, ao ponto de os tetos desabarem sobre os fojos escavados em baixo, e lá deixarem soterrada meia humanidade. O processo é conhecido, e só falta fixá-lo em texto, já que a distância ditada pela História nos começa a dar liberdade de datar.

Woytila, tal como Benedito XVI, Ratzinger, foi um dos flagelos das crenças, ao ter introduzido uma miserável antipedra filosofal que transformou tudo o que fosse religião em crendice. Há quem o compare à metodologia chinesa de fabricar em massa, e sem qualidade. Na realidade, quando entendeu que, depois de milénios de equilíbrio, o Cristianismo devia, finalmente, avançar para a globalização, independentemente das fronteiras dos outros, o podia fazer como calhasse. Os resultados são sabidos: por cada viagem que fez às fronteiras exóticas, o islamismo radical respondeu com estados párias, mecas da violência e ISIL sem barreiras. Quando se pergunta qual a origem do chamado fundamentalismo, é bom que nos lembremos de que foi santificado com o nome de João Paulo II. Mefisto é, decerto, um dos seus maiores adoradores, et pour cause.

O problema destas coisas é como o das mulheres de aluguer, que o tempo acabará por tornar sérias: passadas umas quantas décadas, o próprio problema perde a pertinência, e já ninguém se recorda dos tempos antes. Com Woytila assim foi, e a memória eclipsou os tempos em que o cristianismo era uma religião e não uma crendice de rastejar por Fátima, como hoje se tornou. Como rosto da globalização, era necessário fazer chegar a muitos mais o mesmo produto, ainda que degradado. Na verdade, esse franchising dos credos era fácil de engolir, rapidamente digerível, e não deixava rasto, para além dos magnetes pardos de colar no frigorífico, com a fuça da jacintinha. A massificação do religioso, tal como os megaconcertos, rege-se apenas por uma miserável emergência da simplificação.

Penso que os piedosos não devem ser obrigados a acompanhar o processo, mas, infelizmente, a sua agonia assemelha-se muito ao destino do comércio tradicional, perante a vertigem do fast food. Creio que desenvolver isto seria moroso, e vamos já passar a Fátima: o lindo serviço que Bergoglio, o bispo de Roma, veio hoje fazer à Cova da Iria é uma vergonha, e altamente prejudicial para o que resta das nossas poucas coisas culturais. Diz que para passar às coisas notáveis da Religião já não é necessário passar pelas provações mentais de Agostinho ou Aquino, mas basta aparecer pastorinho, analfabeto e vitimado pela pneumónica. Como a coisa faz jurisprudência, amanhã venderá bem e poderá ser traduzido na forma simples dos recuerdos.

O segundo flagelo nacional é o Futebol, ao qual voltaremos num outro tempo. Chegam-nos hoje as suas metamorfoses, a primeira, a que transformou a necessidade global de futebol numa simplificação de trazer por casa, a necessidade de Cristiano Ronaldo. Durante anos, sentia-se, nos telejornais, a angústia de ter de passar pelas banalidades das notícias importantes para, finamente, se poder trazer ao espectador o manjar da coisa desejada, o monótono perorar do esférico. Com o tempo, a coisa refinou, e sentia-se, com angústia, ter de papar o futebol, quando na verdade, o que se queria era falar de cristiano ronaldo. Fosse Freud vivo e a coisa se explicaria, mas, com ele morto, ainda se explica melhor.

Na verdade, há muito de Fátima em Ronaldo, e basta pensar naquela que concebeu filho sem pai, para rapidamente acabar naquele que gosta de conceber filhos sem mãe.

Por rapidez, vamos à terceira epifânia, a do Salvador Sobral, um fenómeno meteorológico muito parecido com o célebre Zé Maria, da Teresa Guilherme. Há uma certa tonicidade no badalhoco, e um enorme faz de conta do simplório. Distingue o primeiro do segundo ter sido o primeiro um campónio, sem eira nem beira, e o segundo um produto altamente elaborado dos mecanismos de intoxicação social, como se pode ver, e ainda mais se verá. O que me choca no Sobral não é a música, uma bela balada digna de bons filmes de Woody Allen, mas alheia a um lugar cultural com timbre nacional. Faz muito lembrar Al Bowley, mas um Al Bowlly, do "Midnight, The Stars And You", e em mau. O pior da coisa é o incesto, ou uma certa veia incestuosa, indizível, mas vociferante. No final da coisa, depois de tocado o teclado do coitadinho, até podia morrer na véspera da apoteose festivaleira, para realmente poder ir cantar por ele a irmã madrasta e madrinha, do final da fábula. Como podem imaginar, tudo isto me toca muito pouco, exceto na sua conjunção, que é verdadeiramente diabólica, e assenta num patamar ainda abaixo: o Futebol, depois de se degradar em Ronaldo, ameaça voltar a degradar-se ainda mais, ao regressar ao Futebol, e o Futebol ao Marquês de Pombal.

Globalização, globalização, era mesmo o Cristiano Ronaldo ir à Ucrânia receber a bota de ouro, e a Lúcia ser agraciada pela FIFA, com o Salvador Sobral a procriar de aluguer, ou o Bramcaamp Sobral a ir miar em Fátima, ao Francisquinho, "amar pelos dois", com o Ronaldo a jogar pelo Dínamo de Kiev. Há mais combinações, como Santa Jacintinha no Eurofestival 2017, mas essas combinações fazem vocês em casa, tá?...

Quanto aos pastorinhos, há menos dois pastores na Terra e mais dois santos no Céu. Creio que isto só pode traduzir a crise profunda do setor agrícola. Prigogine já analisara o processo na teoria dos gases: na oscilação browniana, fosse o tempo demasiado longo, depois de escapados da origem, haveriam de oscilar, ao ponto de conseguirem voltar ao recipiente. Traduzido por miúdos, quem espera sempre alcança: o Francisco e a Jacinta, em Fátima, onde o Bergoglio podia aproveitar para resignar, "Franscisquinho c'est moi", mas ainda não é desta que resigna, e os analfabetos vão a santos, e até parece que vão mesmo. Aplicado o prigogine ao Sobral, que não é pastorinho, mas uma espécie de enorme hérnia da desfaçatez, nós tantas vezes perdemos o festival que haverá um dia em que nós, talvez, pois, talvez nós, pois, talvez nim...´


(Dueto em forma de valsa, à la rustica, no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")
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sexta-feira, 12 de maio de 2017

Diário de Fátima, Futebol, Salvador Sobral e Baleia Azul - Sobe ao santuário, canta "Amar pelos dois" e salta para cima da santa com cara de saloia. Depois de partida, leva os cacos ao Francisco Bergóglio, para serem abençoados. Faz-te santa

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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Diário de Fátima, Futebol, Jacinta e Baleia Azul - Vídeo de Santa Jacinta Marto, nua, desnuda, pelada, à poil & starck naked

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quarta-feira, 10 de maio de 2017

Astra Luna

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