quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Saramago, fraco Ibérico e pior escritor (edição revista)




Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas




Sou insuspeito, nunca li Saramago, e acho que isso é uma falha minha: na verdade, perdi demasiado tempo a percorrer os Não-Nóbeis da Literatura, Petrónio, Li Bai, Dante, Shakespeare, Sade, Voltaire, Joyce, Kafka, Pound, Borges e Proust.

Acho inimitáveis os poemas de Cesário, e telúrico, e a necessitar de obras por todo o lado, o enorme Pascoaes, e o maior escritor do séc. XX Português, mais coisa menos coisa, é mesmo Pessoa, em si, e nos seus heterónimos todos. Eça parece que não conseguiu ensinar senão muito pouco e a pouca gente, e Pacheco e Cesariny viveram, como vem no número de 2007 de "A Phala", através das repercussões visíveis e subliminares do testemunho deste último: "eu acho que sou um poeta bastante sofrível, numa época em que o tecto está muito baixo. Percebes o que eu quero dizer? Um grande poeta, numa época em que não há Anteros, não há Camilos Pessanhas, não há Guerras Junqueiros, não há Pessoas, se quiseres. Compreendes? Há para aí uma data de gente a publicar uma data de livros de poesia, que aquilo há-de ir parar tudo, não sei... muito longe. Há-de ir parar muito longe. Isto é horrível de dizer", mas precisa mesmo de ser dito.

A verdade está toda aí, nas capelinhas de sempre, revestidas de condimentos e tecnologias diversos.

Hoje, a História pôs-nos, na mão, megafones como nunca de antes vistos, e quando a Academia Escandinava olhou para trás, à justinha do cerrar do Século, a quem haveria de dar o "Nòbele" senão a um produto das prateleiras de hipermercado, silenciosa e habilmente trabalhado, e posto bem à vista, pela Pilar del Rio, profissional de "marketing", por sólidas máquinas políticas, e pela enorme España, a quem ele já pertencia.

Curiosamente, sou tanto de Camões, como de Quevedo e Cervantes, e encontrei muita da luz em Otavio Paz, e nada devo a Saramago, o qual (quase) tudo deve a Castilla la Mancha.

Vem, agora, no momento crítico em que atravessamos, dizer que nos acostumaremos a ser espanhóis. É normal, quando penso nele, raramente penso num Português, mas numa coisa em forma de assim, típica de um século de decadência, de que ele não é mais do que uma acabada forma de epifania. Os Dons Sebastiões são agora outros, e têm os nomes que vocês conhecem, não vêm do Paço de Enxobregas, mas de todo o tipo de covas provincianas que a parca imaginação portuguesa dispensou, e todos acabarão por se afundar em medíocres tratados de alcácer-quibires e coisas semelhadas.

O sonho começa agora, quando diariamente me sento aqui, e, ao contrário dos pequenos saramagos, minuciosamente estou a reconstruir a fronteira da Língua, a Portuguesa, e só essa, e não qualquer outra, e, felizmente, não sou nisso, nem serei, o único. E, juntos fletiremos, até ao limite da dor, o árduo trabalho de Penélope do nosso labor, e nem que tenha de continuar a ser sobre a carcaça e a cabeça e os ossos corrompidos desse lastimável... cavalheiro (peço desculpa: a rima interna, e correta, como se sabe, era em... estupor).

One Response so far.

  1. Ó Alves, li e reli
    e não percebi
    nada (da intenção) do escreveu
    certamente
    por defeito meu

    quanto a nunca ter lido Saramago
    fez bem! Esse gajo
    era um chato!

 
 

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